A vocação de Hugo, um avô feliz

Com seu sorriso característico, hoje com barba branca, Hugo Berninzon, pai de cinco e avô de dez, professor, antigo membro da Família Sodálite, nos conta a história de sua família, uma história de paternidade e de fé em Deus.

“A Família Sodálite para nós é nossa família espiritual”, assim resume Hugo sua experiência por mais de trinta nos de conhecer aos primeiros sodálites que a fim dos 70 começaram as aulas de religião no colégio Markham – onde ele trabalhou desde 1962 – até o dia de hoje, em que um de seus filhos vive em uma comunidade Sodálite e outros dois, como eles, formam parte do Movimento de Vida Cristã. Anos que ele certamente dizia estar cheio de bênçãos  entre as que conta com muita alegria o haver conhecido a sua agora esposa e companheira de vida, Georgia Beninzon, o passo e permanência de seus filhos nas diferentes associações da Família Sodálite, com dor-alegria a morte de seu genro Mario Salazar, como se superou um grave acidente de seu filho Ralph e muitos outros acontecimentos da presença de Deus.

Esportista nato, maratonista veterano e com várias medalhas, ter sido parte dos primeiros anos da Família Sodálite significou para Hugo poder ser parte de acontecimentos desta família espiritual, entre os que inclui o ter formado o primeiro grupo de Família de Nazaré em Lima e ter sido o primeiro capataz da quadrilha da Irmandade de Nossa Senhora da Reconciliação em Camacha (distrito de Lima, Perú). Ele lembra que a primeira procissão realizada em Lima “foi épica, durou 14 ou 15 dias, nunca se tinha feito uma procissão deste estilo, com umas andas tremendas que pesavam uma tonelada”, mas que despertava na gente piedade e questionamento ao ver a Mãe em andaimes passar pelas ruas da paróquia, mais ainda ao fazê-la dançar a marinheira (dança típica). Esta devoção fez também que no 2006 durante o encontro dos movimentos eclesiais em Pentecostes, Hugo tivesse uma experiência inesquecível: “levar a procissão pelas ruas de Roma, sobre a chuva, dançar frente à basílica de São João de Letrão, foi uma forma de evangelizar e fazer apostolado direto”.

Como bons pais Hugo e sua esposa Georgia, ambos educadores, semearam com cuidado uma semente de fe que em todo momento confiaram ao Senhor e que viram com alegria cair na terra fértil na Família Sodálite. “Temos recebido o cento por um” assinala Hugo, quem lembra que “sempre tratávamos de que nossos filhos fossem muito sensíveis às necessidades da família, de tudo ao seu redor”. Este cento por um se fez concreto através de momentos importantes de sua vida familiar. O primeiro deles foi a vocação à vida consagrada de seus filho mais velho Ralph, quem vive em uma comunidade Sodálite desde 1988 e que quando começou a fazer trabalhos apostólicos no Callao (província de Lima), uma zona perigosa que jovens do Movimento de Vida Cristã visitavam como trabalho social, lhes repetia: “não se preocupem, estamos com o Senhor”. Em seu discernimento, que incluiu vários anos universitários, seus pais constataram suas capacidades acadêmicas, mas viram também que sua vocação para servir a Deus foi mais forte.

Hugo e sua esposa Georgia, lembram uma anedota quando Ralph se ia ao centro de formação Sodálite em San Bartolo. Georgia, lamentando que Ralph não fosse ter filhos, lhe disse: “você é um “imã” para as crianças, você adora passar um tempo com eles”. A resposta de Ralph foi convincente: “Mãe, para que quero ter ‘meus filhos’ se vou ter centos de ‘filhos’ a quem atender e amar”. Seus pais constatam que hoje é assim no apostolado que Ralph realiza em Chinca no Colégio Santa Maria e promovendo diversos trabalhos pelos mais pobres. Constatam também a presença de Deus na vida de seu filho. Quando anos atrás, em um terrível acidente automobilístico, Ralph estaria ao  borde da morte, para Hugo houve três milagres: “o golpe que teve não foi mortal, pode chegar a uma sala de emergência, e se recuperou até o dia de hoje para continuar doando-se em seu apostolado”. Sua família, que hoje vem estendida na família espiritual, os levou também a colaborar durante o trabalho solidário que a Família Sodálite realizou em Chincha e Pisco logo depois do terremoto de 2007.

“A experiência que temos tido com Ralph, Alexie e Charlie é de vê-los crescer  e desenvolver-se na Família Sodálite a partir da semente que colocamos neles”. Semente que também levou a uma compromisso cristão a seus filhos Ian e Darienne. Alexie assumiu um apostolado generoso que a levou a viajar a Ancón e logo a Piusra para evangelizar nesses lugares. Anos mais tarde, Charlie, quem cresceu no ambiente da família espiritual, também fez um discernimento para a vida consagrada no Sodalício, mas descobriu que tinha vocação matrimonial. Com três filhos que formam parte da Família Sodálite, outros dois muito cristãos e uma larga trajetória na qual passaram alegrias e dores, Hugo recomenda aos pais “estarem abertos e interessar-se em conhecer à Familia Sodálite, e como não, a ter a valentia e a coragem de deixar optar a seus filhos se tem alguma inquietude vocacional”. Lembra que nunca tiveram a experiência de sentir longe a seus filhos, e salvo pelas distâncias geográficas, sempre tiveram a facildade de conversar com eles. Mais ainda estão certos que as situações familiares duras que vieram, foram leves graças ao apoio de uma família espiritual” que sinto que me ajuda a vencer os momentos que quero desistir”.

Alexie, Ian, Darienne e Charlie siguiram seus passos e são agora pais de família. Alexie teve que enfrentar a enfermidade de seu esposo Mario, ocasião que permitiu experimentar o acompanhamento reverente e permanente da família espiritual em Denver, onde vive com seus filhos, Mario Salazar, quem pertenceu ao Sodalício, descobriu seu chamado matrimonial e se casou com Alexie com quem teve quatro filhos. Sua disponibilidade para o apostolado os levou a Denver. Ao saber do câncer que Mario teve, Hugo e Georgia empreenderam uma viagem com retorno indefinido para acompanha-los durante a enfermidade. Georgia lembra de maneira clara um incontável número de pessoas que iam rezar por Mario e acompanhavam à família com suas orações e com sua amizade. Além do mais lembrava que Mario “rezava antes de cada momento de sua terapia, ele fazia com alegria e convidava a todos a fazerem as coisas com alegria, uma alegria que só podia vir de sua fé em Deus”. Um testemunho de convicção que animou à vida cristã de toda a família.

Em sua vida como esposos os Berninzon colaboraram muito com o apostolado de famílias dirigindo grupos de Família de Nazaré. Hugo lembra que chegou um momento no qual se encarregou em paralelo de três grupos de Nazaré: um no Callao, um em Camacho e outro em Ate. Com o passo do tempo viram com alegria que a semente ali também plantaram, o Senhor a fez crescer e muitos casais dirigem agora seus próprios grupos.

Os Berninzon se consideram uma família  muito abençoada por uma longa experiência de vida de fé, a mesma fé que lhes permitiu ver com clareza através de suas muitas experiências intensas e inclusive dolorosas, que “Deus sempre quer o bem para todos e só resta seguir seus caminhos”. Com dez netos que são para eles uma imensa alegria, celebram a Felipinho, o último a chegar, que é ao mesmo tempo o primeiro de seu filho menor Charlie. Por isso para eles esta celebração do dia do pai “é especial porque vamos celebrar o primeiro dia do pai do nosso último filho”, nos diz Hugo refirindo-se a Charlie, o menos de seus filhos, a “quem pedimos que tenha conosco cinco filhos” finaliza sorridente Georgia.

Hugo Berninzon Vierira nasceu no Perú em 1939. Mestre por vocação e esportista apaixonado, se desempenhou como professor de matemática no colégio Markham desde 1962 até 1997, lugar no qual conheceu sua esposa Georgia com quem se casou em 1965. São pais de cinco filhos – dos quais Ralph, o mais velho, é Sodálite desde 1983 – e avô de dez netos. Foi o primeiro capataz da quadrilha da Irmandade de Nossa Senhora da Reconciliação em Canacho e membro do primeiro grupo de Nazaré em Lima.