Testemunho: o pai do Pe. Juan

A fé dos pais é muito importante na formação de seus filhos. Mercedes Paniagua, mãe do novo sacerdote Juan José Paniagua, nos conta como a sabedoria de seu esposo Juan foi decisiva na vocação de seu filho e na tranquilidade do lar.

“A vida de Juan, meu esposo – nos relata Mercedes – sempre esteve ao redor do Senhor. Primeiro a Juan José, e a todos os meus filhos depois, os levávamos a Missa desde quando era muito criança”.  Juan Paniagua Corazao, homem de oração e zeloso da educação religiosa de seus filhos, sempre lhes comprava livros sobre a Bíblia, da vida de santos ou de Jesus. “Porque para Juan seu chefe era Deus, Ele decide tudo” lembra Mercedes dessa aproximação que foi ensinando-lhes a seus filhos e que despertou a generosidade na casa.

Ela ensinou a oração do Anjo da Guarda a seu filho Juan José, quem aprendeu também a história da Arca de Noé sem saber ler ainda e lembra que “quando fez sua Primeira comunhão, a faz com muita devoção, ao ponto de o elegeram para ser o primeiro em recebê-la. Sempre teve essa linda proximidade com o Senhor”. Anos mais tarde Juan José começaria a ser acólito nas missas da paróquia Nossa senhora da Reconciliação, a igreja nova construída pelo Sodalício localizada muito próximo a sua casa.

Apesar de notar que a seu filho lhe encantava participar das reuniões que organizava o Movimento de Vida Cristã, ela se opôs no início porque tinha outros planos para seu filho que alguma vez manifestou querer ser advogado. “Deixa ele, porque não é nada mal, está em algo bom e lhe vai fazer bem”, lhe disse um dia seu esposo Juan. Atenta a seu filho, Mercedes foi alentado que preparasse seu ingresso à universidade. Um dia que lhe ensinava a dirigir a seu filho, este lhe disse: “Mãe você me insiste que me prepare, mas eu não vou estudar direito, porque eu quero ser sacerdote”. Desconcertada por esta opção lhe disse “filho, você está tão jovem ainda… Por favor estuda uma profissão, pensa um pouco mais, olha um pouco mais a vida e se tem vocação para ser sacerdote de qualquer maneira você vai ser”. Segunda ela não houve forma de fazer mudar a opinião “pois Juan José sempre foi das pessoas que teve todas as coisas bem claras, desde pequeno. Ele sempre soube o que queria”.

Ela queria que Juan José entrara à vida religiosa havendo conhecido um pouco mais da vida, e estudado mais. Mas Juan José explicou: “Mãe, quero ser sacerdote e para ser sacerdote preciso estudar filosofia e teologia. Não me peça que estude direito e seja sacerdote, é como se dissesse que quero ser médico e você me responde ‘Não, estuda primeiro direito e depois estuda medicina”. Ante esta determinação do filho Mercedes acudiu a seu esposo que falasse com ele, pois escutava muito. Seu pai Juan falou com ele e lhe recomendou ver outras opções também. Ao ver que seu filho Juan José não queria outra coisa mais que não seja o Sodalício, lhe disse a sua esposa: “Cada pessoa é livre de eleger o que cada um quer na sua vida, e tem direito também de equivocar-se, e se se equivoca ele vai saber mais adiante o que quer ser. É sua liberdade para eleger o que ele quer na sua vida”.

“O único que nós os pais queremos é que os filhos, estejam onde estejam, sejam felizes. E a verdade que com o tempo vi que meu esposo Juan tinha razão, porque meu filho Juan José é feliz” – explica emocionada Mercedes que viu que seu s filhos nunca perderam a comunicação com seu pai. “No Sodalício realmente sempre foram bons conselheiros dos garotos” explica Mercedes que viu como também seu terceiro filho César fez um tempo de discernimento onde “o ajudaram a que ele veja que não era a sua vocação, e saiu contente de ter estado quase 3 anos no Sodalício, onde ganhou muito. Hoje está casado e é um garoto feliz”.

Foram dois anos intensos para Mercedes nos quais se casaram seus dois filhos, nasceu sua neta e Juan José se ordenou sacerdote. “É lindo que se casem os filhos, vê-los felizes e que formem um lar; mas isto de Juan José realmente é mágico, é uma experiência inesquecível” nos disse enquanto revivia o que viveu em Guayaquil faz dois meses ao ordenar-se diácono e nestes dias na ordenação sacerdotal. Dias intensos nos que “não pode nada mais que agradecer a Deus e ao Sodalício”.

Ela lembra que lhe diziam que perderia seu filho, mas pelo contrário sente que sempre o teve próximo, já que “a mim nunca me o afastaram, e acredito que aos outros tampouco. Passou o tempo e vejo meu filho Sodálite e é o que está mais pendente de mim, inclusive de seus irmãos”. Enfática Mercedes conta que “nunca senti um adeus com meu filho e compartilho com todo o mundo, pois isso é muito lindo”. Inclusive lembra que os momentos duros da enfermidade do seu esposo Juan, puderam levar pela proximidade dos sacerdotes Sodálites a quem “tudo o que eu lhes deve é agradecimento. Tive momentos muito felizes graças ao Sodalício”.

Para Mercedes ter um filho sacerdote é um privilégio e uma benção, “é uma sorte tê-lo tão perto e tão a mercê de receber sua benção. O vejo com tanto fervor e recolhimento, é lindo. O que poderia dizer-lhe a Juan José é obrigado, por ter sido sempre como foi. Por nos ter dado tanta alegria e por ter tido as coisas tão calares e nunca me dar tristezas”.

“Eu sempre peço ao Senhor, que Juan José seja um bom sacerdote, que se dê de corpo e alma aos demais, que cada vez seja mais bom” e acentua lembrando a seu sábio esposo “eu acredito que Juan, do céu, vai ajudar que assim seja. Que Juan José faça crescer esse espírito de ajudar aos outros”. Esse mesmo espírito que seu pai lhe inculcou e lhe ensinou a levar aos demais.

Juan Panaiagua Corazao foi o terceiro de seis irmãos. Uma de suas irmãs é religiosa da congregação Filhas de Santa Ana. Seu irmão, Valentín Paniagua Corazao foi presidente transitório do Perú do ano 2000 ao 2001, e faleceu poucos dias antes que seu irmão Juan, no ano de 2006.